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01 de janeiro, 2019 - 09h13

Mangal completa 14 anos de funcionamento e atrai mais de 300 mil visitantes ao ano

No próximo dia 12 de janeiro, Belém celebra seu 403º aniversário e no mesmo dia o Mangal das Garças completa 14 anos de funcionamento e desde 2005, quando foi inaugurado pelo Governo do Estado, o Parque Naturalístico vem se firmando como um importante equipamento turístico, atraindo mais de 300 mil visitantes ao ano. 

Os visitantes encontram no Parque Zoobotânico Mangal das Garças um espaço de conservação e contemplação da natureza. O que antes era uma área alagada pertencente ao Comando do 4° Distrito Naval, aos poucos se tornou um dos mais belos recantos naturais de Belém, um verdadeiro oásis amazônico em meio  aos prédios que compõe a cidade.


FLORA
Localizado às margens do Rio Guamá, o Mangal das Garças tem como flora característica a várzea do estuário amazônico, com presença de vegetação tanto na área de maré, quanto na parte aterrada do parque.


“No nosso espaço podemos observar plantas características das diferentes áreas da floresta amazônica: Mata de igapó, mata de várzea e mata de terra firme. Realizamos adubações frequentes, podas de formação e incorporamos novas espécies sempre que possível, aumentando ainda mais a diversidade”, conta Caio Silva, biólogo do Mangal.


Vegetação Nativa - A preocupação com a vegetação nativa foi um dos traços marcantes da construção do parque. Todas as árvores originais foram mantidas e preservadas. Também houve recuperação do aningal, além da inserção de vegetação com características das três grandes regiões florísticas do Estado, tudo para criar um ambiente naturalístico.

O plantio de diversas espécies vegetais amazônicas, de forração, arbustiva e arbórea incorporou ao local uma área verde que colore o complexo e é abrigo para uma diversificada fauna. Essas e outras condições permitem ao local não só aproximar a população da natureza, mas valorizar, preservar e promover diariamente o cuidado e o respeito ao meio ambiente.


Apesar da influência da maré, o parque dispõe das mais variadas espécies. Um dos fatores que permite o crescimento de outras árvores é a presença da aninga (Montrichardia linifera), espécie de planta herbácea invasora da família das aráceas, que pode chegar a 10 metros de altura. O aningal cria condições de sombra e colabora para a sobrevivência de outras árvores.


Espécies típicas - Entre as espécies de área alagada componentes da flora regional, o Mangal dispõe do açaizeiro, buritizeiro, taperebazeiro, a monguba e a mamorana, os quais produzem frutas típicas da região. Já na área aterrada, os visitantes podem conhecer de perto árvores exóticas e típicas da Amazônia, como o mogno, o cedro, a seringueira, o andirauxí, a cuieira e a bacaba.


Algumas espécies do parque servem como alimentação para os animais que vivem no local. Conforme explica Caio Silva, “os frutos do bacuripari, do açaizeiro, da bacabeira, entre outros, servem para alimentação de algumas espécies de aves que habitam o parque. O amendoim forrageiro, que é uma planta utilizada no paisagismo do parque, serve também para alimentação das iguanas”, informou.


Os jardins naturalísticos comportam diversas espécies que podem ser observadas no cotidiano paraense, por exemplo, a cuieira, espécie que dá origem à cuia onde se serve o famoso tacacá, prato típico da culinária paraense. Essa e outras espécies da flora amazônica têm diversos usos, entre eles, a confecção de artesanatos, produção de óleos essenciais, utilização para fins madeireiros e medicinais, entre outros. 

“Quando os visitantes passam a reconhecer que utilizam esses recursos no seu cotidiano, passam a dar maior importância à conservação deles”, observou Caio Silva.


Espécies ameaçadas - No local também é possível observar espécies que estão ameaçadas, como o pau-rosa, ucuúba e Pau-Brasil, esta última, apesar de ser uma espécie da Mata Atlântica, possui exemplares no parque, propiciando aos visitantes a oportunidade de conhecê-las.


FAUNA
A belíssima arquitetura urbana da capital paraense, herdada da tão charmosa Belle Époque, encanta quem vive e quem passa pela cidade. Toda a simetria dos prédios antigos da cidade velha serve de moldura para o Mangal das Garças. E nesse cenário de contrastes entre os feitos do homem e da natureza, outros realces em meio à mata verde chamam a atenção de quem visita os jardins naturalísticos do parque: as cores e a beleza dos animais que vivem no local.


Após 14 anos de funcionamento, além de se tornar um importante equipamento turístico do Estado, o Parque Zoobotânico Mangal das Garças também é destaque nacional por possuir, nos seus quase 40 mil metros quadrados, um ambiente projetado para a conservação e preservação de espécies ameaçadas de extinção, o qual comporta quase 100 espécies da fauna amazônica. Para isso, o parque recria diferentes ambientes naturais da Amazônia, dispondo de áreas de mata e terra firme, de várzea e de campos, que garantem ao Mangal a possibilidade de abrigar as mais variadas espécies.  

Um fator importante que permite o sucesso de um zoológico é o cumprimento da exigência em ter programas de reprodução com a finalidade científica e/ou de manutenção, quesito no qual o Mangal das Garças é referência, como conta Stefânia Araújo, veterinária do Parque, “o Mangal é referência nacional em reprodução. O Parque reproduz diversas espécies como o Colhereiro, Arapapa, Pavãozinho do Pará, entre outras. A reprodução de Guarás, por exemplo, já garantiu ao parque destaque nacional, em termos de protocolo reprodutivo”, destacou.

Diversidade - Além de se sentirem mais próximos do ambiente natural amazônico, os visitantes são surpreendidos pela beleza das espécies de vida livre, aves, quelônios, peixes e borboletas, possibilidades que fazem do lugar um dos pontos turísticos mais emblemáticos da capital paraense.


Aves - Quase 50 espécies de aves vivem no local, três destas têm vida livre, sendo elas:  o Quero-Quero (Vanellus chilensis); e as Garças Branca Grande (Ardea alba) e Branca Pequena (Egretta thula); estas últimas, são as que batizam o local. É  quase impossível não perceber as garças ao caminhar pelo parque devido ao grande número de aves desta espécie que visitam o Mangal diariamente. 


“Proporcionamos uma ambientação adequada e uma alimentação que é atrativa para nossas ilustres visitantes. No caso das Garças, além do ambiente arborizado e com lago para proporcionar bem estar, fornecemos peixe fresco quatro vezes ao dia”, declarou a veterinária do Parque.


O momento da alimentação das Garças é um verdadeiro espetáculo e pode ser observado por quem passeia pelo Mangal em quatro horários diferentes ao longo do dia.


Outra ave que provoca os olhares dos visitantes no Mangal é o Guará e suas penas de cores vibrantes. Stefânia explica o que provoca essa coloração nas aves. “Essa espécie de ave se alimenta principalmente do caranguejo chama-maré, o qual, por sua vez, se alimenta de algumas algas ricas em pigmentos lipossolúveis chamados carotenoides. Esses pigmentos são os responsáveis por provocar a coloração vibrante nos Guarás”.


Quelônios e Peixes - Entre os quelônios o Mangal possui o Tracajá (Podocnemis unifiis); a Tartaruga da Amazônia (Podocnemis expansa), e a Muçuã (Kinosternon scorpioides). Já na classe dos peixes, o Parque dispõe do Tambaqui (Colossoma macropomum); a Piranha-vermelha (Pygocentrus nattereri); o Acará (Geophagus brasiliensis); e o Curimatã (Prochilodus lineatus), espécies bastante comuns nas regiões ribeirinhas.

Borboletas – Com o primeiro borboletário da região norte, sendo um dos maiores da América do Sul, a reserva José Marcio Ayres, o borboletário, dispõe de espécies de Júlia (Dryas iulia); Ponto-de-laranja (Anteos menippe); Olho-de-coruja (Caligo illioneus) e Brancão (Ascia monuste).


Quem entra no borboletário se encanta com a convivência entre borboletas e beija flores, além do ambiente agradável e florido. O momento de soltura de novas borboletas ocorre às 10h, e às 16h, e representam um verdadeiro espetáculo da natureza, o qual pode ser contemplado por todos no local. Em média, ocorre a soltura de 2500 borboletas, mensalmente.


14 anos de história
Com lagos, aves, vegetação típica, equipamentos de lazer, restaurantes, vistas espetaculares da cidade e do rio, o Mangal das Garças logo se tornou um dos pontos turísticos mais elogiados de Belém. Além de contemplar uma das maiores amostras da bela e rica flora e fauna amazônica, no Mangal das Garças o visitante pode prestigiar espaços como o Museu Amazônico da Navegação, Farol de Belém, mirante do rio; assistir programação cultural e participar de visitas guiadas com agendamento prévio.

Também é possível fazer lanches rápidos em quiosques de comidas típicas, sucos e sorvetes regionais, e almoçar ou jantar no restaurante Manjar das Garças. O parque funciona todos os dias, exceto às segundas-feiras, sempre de 9h às 18h, com entrada gratuita.

Serviço:
Mangal das Garças – abre de terça a domingo, de 9h às 18h30, com entrada franca.

Espaços para visitação - valor R$ 5, 00 cada; ou R$ 15, 00 o passaporte para todos os espaços.
Momentos de alimentação das Garças – 11h, 15h e 17h30.
Momento de Soltura das Borboletas -  10h e 16h.


Por: Beatriz Pastana
Foto: Akira Onuma

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